A referência é um processo de aprendizagem, nada se sabe que não se tenha vivido, ouvido, aprendido ou de alguma forma interiorizado.
Referências não são verdades, o grande mal é acreditar na verdade, são apenas pontos de vista.
Beatriz Lopez.
No sítio dos meus avôs tinham alguns pés de Romã. Minha avô adorava Romã, ela pedia para que eu fosse buscar.
Nós (eu, meu irmão, meus primos) éramos muito pequenos, mas suficientemente grandes para subir em arvore e comer jabuticaba no pé.
A minha avó sempre foi baixinha e gordinha e o que ela tinha de pequena tinha de bondosa. Sempre fazia doce, mas o vencedor era o manjar branco com calda de ameixa seca.
Esse era o doce do natal. No dia a dia preparava arroz doce com pequenas e finas fatias de casca de limão. Antes de dividir todo o doce em pequenas porções ela buscava pedaços da casca de limão para me dar.
Meu avô, que sempre teve pose de durão não tinha um braço e ainda assim permitia que os netos se pendurassem encima dele. Como disse éramos pequeno, mas grandes para nos pendurarmos no que fosse maior que a gente.
Um dia fui a feira com minha mãe e irmão e lá ganhamos dois pintinhos, um morreu. Dizia meu irmão que o que havia morrido era meu, mas isso não dava para saber por que eles eram iguais.
O pintinho que sobreviveu virou um galo bravo e ranzinza e foi viver lá no sítio dos meus avôs. Depois que ele cresceu perdeu a graça para nós, mas a vida dele ganhou graça lá no galinheiro.
Nunca me esqueci da imagem das arvores de romã enfileiradas uma ao lado da outra e minha avô ao meu lado.
Hoje me Dou conta de como o tempo passa e com ele perdemos lembranças. As que ficam não vão embora jamais.
Não se esquece um sentimento de amor, nem na vida e nem na morte. Se cura, quem sabe, uma dor...
Beatriz Lopez.
Existe um vale imenso e entre eles a passagem é uma ponte de ferro, mas é curva como se fosse aquela de madeira de filme americano.
O vale: As montanhas são gigantes, extremamente altas e pontudas. A ponte parte do pico mais alto das montanhas.
Eu: tenho que atravessar a montanha e uso uma luva ante derrapante. Tenho que atravessar a ponte, mas não pode ser por cima, tem que ser por baixo, segurando com as mãos. Meus braços não conseguem muito, não tenho muita força, mais ainda acho forças pra me segurar. Tenho muito medo de tirar uma mão e coloca lá mais pra frente pra prosseguir e cair no abismo, mas posso tentar subir na ponte e não mais ir por baixo, mais olho pro lado e vejo minha amiga Maiana caindo do abismo. (o abismo é imenso... tem água lá embaixo).
Fora ela mais ninguém está comigo, todos foram embora, caíram... Nesse momento estou absolutamente sozinha lutando pela minha vida. Sempre tive pavor de altura, meus pés se arrepiam muito com lugares altos, mas lá estou eu. A luta perdeu o sentido depois de sua queda, então solto minhas mãos e caio.
Depois da queda: Espatifei no chão e não tem ninguém lá, nem Maiana, nem Família, nem amigos e nem A pessoa que eu amo (a que escolhi para namorar) só tem eu. Por milagre não morri, mas estou agonizando, a única coisa que se mexe são meus olhos, eles piscam e olham para os lados. Estou imóvel, parada.
Os animais: Chega um leão e começa a arrancar pedaços da minha barriga com os dentes, sinto a dor, sinto todas as dores, ele leva esse pedaço de mim, chega outro animal e arranca mais um pedaço de mim. Eles me devoram, mais eu estou viva, com os olhos atentos e sendo devorada, sinto tudo, tenho consciência de tudo.
Voltando no tempo: Eu volto no tempo e volto para a ponte. Consigo com a última força que tenho subir a ponte, a Maiana sobe comigo agora a questão é só atravessar a ponte. Eu realmente tenho medo de altura, mais não vou deixar minha vida acabar por causa do medo. Desesperada eu caminho na ponte, ela não tem fim e não to nem no meio, mais já não dá mais pra voltar. Ao menos não estou sozinha.
Beatriz Lopez