sábado, 29 de setembro de 2007

Escolha.


Escolher caminho,
Cada passo um espaço.
Peço ao coelho cinza que me ajude, olha para mim e nada me responde.
Me dê, mesmo que por um momento, aquele com pintas na nuca...
E que pintas...
Pedras entram no sapato e não saem, tenho dificuldade para alcançar.
De longe ele sorri, quanto mais me aproximo mais à realidade se afasta. Só sonho...

Nada posso ter alem de uma expressão em seus lábios contente.
O coelho continua sem responder e o desejo confunde ainda mais minhas certezas e a única que tenho é 1825, que é o tempo que nos desvia.
O sexto dia da semana, a cada ciclo uma explosão. Me aproximo, me despeço e me calo com toda sede de sua saliva.

Se eu falo que faria diferente, é mentira!
Se o faço é por que escolhi, se escolhi ele é por que o quero mesmo acreditando que nunca o terei!

Quantas vezes será preciso me reprovar para entender que meus olhos se direcionam ao perigo?
É imenso o caminho a percorrer, assim como o espaço que fica entre nos.


Beatriz Lopez

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Sol


Quando ando pela rua e esta frio busco o sol, não há nada melhor do que o sol no inverno...
O sol que bate nos pés pela manhã na hora de sair da cama, que aquece o gato dorminhoco...
Se eu fosse o sol aqueceria os corações assombrados, os irmãos doentes de infância, os irmãos doentes de ira!
Mas o mesmo que esquenta mata e queima!
Há de se respeitar o sol, mesmo o bem pode ser nocivo. Sigo dizendo que se EU fosse o sol aqueceria os corações assombrados, mas tostaria aqueles que tentassem apagar o meu fogo!
Foi o que disse uma amiga... Hoje acho que ela queria ser respeitada!
Beatriz Lopez

sábado, 18 de agosto de 2007

A Rainha.



Engraçado foi descobrir desejos enraizados, os quais são tão óbvios que nunca tinha dado conta que eles existem...
Tentei entender, será?
Hoje posso dizer que me conheço mais do que ontem, mas não conheço nem um décimo do que eu gostaria.
O outro dia me chamaram de rainha. Qual figura era essa? Digo que boa não chega nem perto... No imaginário dele sou tirana, no meu toda minha agressividade é magoa. Poderiam ser sinônimos (assim como nos dois somos parecidos), mas são tão doloridos os dois...
Aquele que diz é tão sofrido quanto eu, a Rainha que chora é tão tirana quanto ele. Os que causaram danos irreversíveis em nós só são como nós. Passo a passo lutando nessa escola para sobreviver à melancolia.
A Rainha sempre linda, o falante sempre forte e os causadores sempre cansados.
Seriam eles de fato causadores? Seria a monarca sempre linda e ele forte?
Enxerguei que se fosse uma Rainha, antes, usaria o poder de mando para receber um afeto infantil, um carinho que só as crianças dispõem que nenhum duque supre. Só que perceber que a mão que acaricia só tem valor vinda de vontade própria me fez acreditar que nunca seria feliz um tirano... A não ser que seus afagos fossem dados sem o uso do dedo opressor.
Agora que me dei conta dessa floresta sei que parte dela nunca passará do imaginário nem do nome desejo... Mas como as plantas sempre dão frutos ou folhas entendi que a criança pode ser cuidada e acariciada por ela mesma!
Beatriz Lopez